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7.3. Blogosfera em 2005
O ano de 2005 começa por ser assinalado pela extraordinária dinâmica de alguns dos blogues instalados na plataforma “Weblog.com.pt“, com blogues como o Charquinho (ver, por exemplo, este “post-chat“ com mais de 300 comentários), o Ruínas Circulares (ver, por exemplo, esta entrada no “Ruínas“) ou o Afixe (transformado num dos maiores “conglomerados”) a constituírem um cabal exemplo de como a blogosfera está bem viva e continua a ser capaz de se renovar e de nos surpreender diariamente.
A 10 de Janeiro, surge o “Margens de erro“, de Pedro Magalhães, visando reflectir e analisar as sondagens que vão sendo publicadas, que se tornaria numa visita obrigatória, em particular nos sucessivos períodos eleitorais: “O objectivo deste blogue é simples. Achei que seria bom que existisse em Portugal uma fonte de informação sistemática sobre as sondagens que vão sendo publicadas. É também provável que, por obrigação profissional, tenha de recolher alguma dessa informação, especialmente durante os próximos treze meses onde haverá eleições legislativas, autárquicas e presidenciais. É possível que tenha algumas coisas para dizer sobre essas sondagens. E essas coisas raramente são ditas (ou podem ser ditas) noutras fontes de informação que não um blogue. Logo, serão ditas e escritas aqui. É só isto. É um princípio”.
Por esses dias, o “Expresso”, o “Público” e o “Correio da Manhã” referiam notícia tendo um blogue (Random Precision) como fonte (“entrada“ relativa ao Director Nacional da P.S.P., Branquinho Lobo, o qual acumularia esse cargo com uma pensão de aposentação por incapacidade).
A 14 de Janeiro, Pacheco Pereira ensaiava no Abrupto uma experiência inédita na blogosfera portuguesa, a da cobertura em directo de um acontecimento mediático, no caso a chegada da sonda Huygens a Titã.
Depois dos “blogues” de alguns (poucos) deputados, e dos blogues de Manuel Monteiro (candidatura ao Parlamento Europeu - “digaomanel”) e de Manuel Alegre (candidatura à liderança do Partido Socialista - Manuel Alegre), iam surgindo - na fase de pré-campanha eleitoral - novas adesões de políticos à blogosfera: Helena Lopes da Costa, António José Seguro, Nuno Morais Sarmento (com o “Força Interior“ - Blog da candidatura do PSD pelo distrito de Castelo Branco às legislativas de 2005). Até que, a 21 de Janeiro, e a convite da “plataforma de blogues do Sapo“, os principais líderes partidários criariam os seus blogues de campanha: José Sócrates, Santana Lopes, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas e Manuel Monteiro.
A 25 e 26 de Janeiro, o Blogue de Esquerda passa por uma “crise”, com o abandono de Luís Rainha, que, contudo, regressaria algum tempo depois. Também Paulo Gorjão anunciara, a 27, o final do Bloguitica, no que, contudo se viria a traduzir apenas numa curta pausa.
Ainda no mês de Janeiro, João Canavilhas publicava o interessante estudo: “Blogues políticos em Portugal: O dispositivo criou novos actores?“, que seria referido no Diário de Notícias (artigo de Martim Silva):
“Blogs podem ser mass media
“A massificação dos computadores e dos PDA (computadores de bolso) com ligação à internet provocará um efeito semelhante ao que se verificou com os restantes meios de comunicação de massa, com a consequente projecção dos blogues para um patamar de visibilidade semelhante ao que registam actualmente os informativos dos media tradicionais”. No entanto, e pelo menos por agora, “os blogues ainda não geram novos actores” políticos.
A conclusão é do estudo “Blogues políticos em Portugal o dispositivo criou novos actores?”, da autoria de João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior, ele próprio um membro activo da blogosfera, dado fazer parte do Blog dos Marretas (marretas.blogspot.com). No ensaio, Canavilhas lembra que “num curto espaço de tempo”, dado terem aparecido apenas em 1999, os blogues tornaram-se “um importante dispositivo de comunicação”, existindo actualmente registados em Portugal mais de 90 mil (de um universo de mais de cinco milhões registados neste media em expansão). Politicamente, o estudo realça “a chegada de Pacheco Pereira [www.abrupto.blogspot.com] como um momento importante no crescimento da blogosfera portuguesa”. Isto por ter conseguido “atrair a atenção dos media tradicionais” para este fenómeno, nomeadamente com a publicação de reportagens nos jornais e revistas. Sendo a blogosfera “um espaço de discussão ímpar” e mesmo uma “nova ágora”, é curioso registar que “os blogs que abordam questões políticas não têm parado de crescer”. E, nesse campo, “um dos assuntos que marca a blogosfera desde o início é a discussão política entre direita e esquerda”. Actualmente, há blogs como o de Pacheco Pereira e o Barnabé (barnabe.weblog.com.pt), realça Canavilhas, “que chegam a ter cinco mil visitas diárias”. Este meio “funciona como um espelho da sociedade”, em que “qualquer convulsão ou acontecimento tem efeito imediato. O autor lembra que no caso das recentes eleições americanas, os blogues dos candidatos chegaram a atingir as 30 mil visitar por dia.”
O mesmo jornal passava também em revista os blogues dos candidatos (em artigo de Pedro Correia):
“Os “queridos diários” dos políticos
“Já não bastam os comícios, os cartazes, os jantares e as bandeiras. Os políticos portugueses usam agora a Internet para comunicar directamente com os eleitores. Em tempo de campanha, todos os argumentos valem. E nenhum é mais actual do que um blogue. Os líderes dos quatro principais partidos começaram a escrever os respectivos diários na Internet. É num tom coloquial, às vezes intimista, que se dirigem ao “vasto público” ligado à rede. Santana Lopes, José Sócrates, Jerónimo de Sousa e Paulo Portas têm, desde meados de Janeiro, blogues personalizados. À disposição de qualquer (e)leitor que navegue na Internet. Uma versão actualizada dos clássicos diários de outros tempos, aproveitados para reflexões de todo o género.
Pedro Santana Lopes tem usado este espaço para transmitir as “sensações” que vai vivendo. Ontem referia-se assim ao encontro que manteve com militantes sociais-democratas em Portalegre. “Segundo muitos dos presentes, aquele foi o maior jantar de sempre do PPD/PSD, com mais de 1800 pessoas que, apesar de estar muito frio e ser terça-feira, não quiseram deixar de estar presentes.”
No seu blogue (pedrosantanalopes.blogs.sapo.pt), Santana anota várias “mensagens de apoio” já recebidas. Há até quem troque a prosa pelo verso “Estaremos lá todos dia vinte/como nos apela Santana/quem sabe de laranja se pinte/o que é uma cor bem bacana.”
José Sócrates não lhe fica atrás. No seu blogue pessoal (josesocrates.blogs.sapo.pt) o secretário-geral socialista escreveu terça à noite sobre a entrevista concedida pouco antes à RTP “Para além do esclarecimento inicial, que se impunha, dada a campanha de torpes insinuações a que o líder do PSD se dedicou nos últimos dias, houve tempo para abordar questões relacionadas com a economia, ainda que (…) me fique sempre a sensação de que tudo foi abordado um pouco pela rama.”
Santana fala da gripe, Sócrates menciona os recentes contactos com líderes europeus. No seu blogue (pauloportas.blogs.sapo.pt), o presidente do CDS-PP é mais impessoal, optando por notas propagandísticas. Como esta “O CDS demonstrou no Governo ser sério e profissional a resolver problemas.” Também Jerónimo prefere a propaganda. No blogue (jeronimodesousa.blos.sapo.pt), o secretário-geral do PCP evita o tom confessional: a política tem prioridade. Ontem assinalava que nas questões decisivas “pouco ou nada separa o PS da direita”.
Outros políticos, como António José Seguro (PS) ou Nuno Morais Sarmento (PSD), também aderiram à blogosfera. Com notas de campanha de qualidade desigual. Seguro, cabeça-de lista por Braga, regista “Acabei de regressar de um jantar com a população do concelho de Cabeceiras de Basto. O restaurante tornou-se pequeno para os mais de 600 participantes.” Sarmento, cabeça-de-lista por Castelo Branco, vai descobrindo as belezas do distrito: “Rica em carvalhais mistos, a Serra da Gardunha é o único local onde existe a planta Asphodelus bento-rainhae.”“
O mês de Fevereiro inicia-se com o debate (no dia 3) entre os principais candidatos ao cargo de Primeiro-Ministro (José Sócrates e Pedro Santana Lopes), em directo na televisão (na 2: e na SIC)… e também nos blogues, com Pacheco Pereira a fazer no Abrupto um exercício de comentário em tempo real ao debate televisivo (na noite das eleições, acompanharia também a evolução dos resultados eleitorais no seu blogue); também o Blasfémias publicaria os seus comentários “em directo”, no decurso do referido debate.
Igualmente ainda no início de Fevereiro, integrado numa página especial de acompanhamento das eleições legislativas agendadas para 20 do mesmo mês, a SIC lançava também o seu “blogue” de acompanhamento da campanha eleitoral: “Diário da Campanha“; também a TVI criaria uma página com formato de “blogue” para acompanhamento das eleições legislativas.
A 8 de Fevereiro, João Caetano Dias (Jaquinzinhos) publicava no “Público” um texto a propósito das eleições.
A 14 de Fevereiro de 2005, José Mário Silva publicava no “Diário de Notícias” o artigo “Blogue de encontro, uma experiência cibernética“, aflorando a temática dos conhecimentos amorosos via blogosfera, com referência também ao surto de “babyblogs”.
Em meados de Fevereiro, uma verdadeira “constelação de bloggers” reunia-se n’A Mão Invisível, com a participação (entre muitos outros) de Carla Hilário Almeida (“Bomba Inteligente), João Caetano Dias (“Jaquinzinhos”), João Carvalho Fernandes (“Fumaças”), Luciano Amaral (“O Acidental), Nuno Amaral Jerónimo (“Blogue dos Marretas”), Nuno Mota Pinto (“Mar Salgado”), Pedro Lomba e Pedro Mexia (“Fora do Mundo”).
A 23 de Fevereiro, um artigo de Miguel Poiares Maduro no Diário de Notícias falava sobre “A Fronteira“:
“[…] Comunicar. Mas talvez o maior impacto da Internet nas formas de comunicação e socialização esteja na (con)fusão entre o espaço privado e o espaço público que promove. Os blogues e o seu impacto são um bom exemplo. Misto de diários pessoais publicados e colunas de opinião, diluem a fronteira entre o público e o privado e alteram radicalmente a natureza do discurso público. A atracção da escrita dos blogues está na sua espontaneidade e liberdade. São reacções genuínas e algo “epidérmicas”, daquelas que temos numa conversa entre amigos. Mas a sua publicação dá-lhes a importância de uma mensagem pública. Ficamos prisioneiros de uma opinião que, frequentemente, não é totalmente reflectida. Uma coisa é uma reacção instantânea, outra é uma opinião de fundo. Nos blogues, os dois confundem-se. É aí que está o seu risco, mas também parte do seu interesse.[…]”
Reflectindo a propósito do sexo, Júlio Machado Vaz iniciava, a 28 de Fevereiro de 2005, o Murcon.
No final de Março (a 29), o “Diário de Notícias”, prosseguindo a abordagem do fenómeno dos blogues, apontava a criação diária de mais de 70 blogues e a existência de mais de 37 000 diários activos.
“Mais de 70 blogues criados todos os dias em Portugal
Há mais de 37 mil diários activos com a grande maioria a visar a actualidade
Os efeitos da blogosfera também se fazem sentir em Portugal, onde o fenómeno ganha cada vez mais adeptos, depois de ter sido lançado, com servidores nacionais, no ano de 2003, cerca de seis anos depois da invenção do conceito de blogue, em 1997.
O universo dos blogues do Sapo, um serviço lançado há menos de um ano e meio, soma já perto de 37 mil blogues activos, sendo que não são contabilizados os ‘adormecidos’, aqueles que não são actualizados há mais de três meses. Em média, o servidor da PT recebe 76 novos blogues por dia, geridos na sua maioria por mais de um autor. Os temas de fundo e os tipo de registo são diversos mas a grande maioria centra-se na actualidade, segundo fonte relacionada com aquele serviço.
Também em Portugal se verifica uma aproximação entre blogues e os media tradicionais. João Paulo Menezes, jornalista da TSF e autor do blogue Blogouve-se, entende que os diários “não são uma concorrência à comunicação social, quanto muito serão um complemento”, explicou ao DN. Em causa está o facto do blogue ser “um meio muito ágil” e “um fenómeno importante de estudar, devido à simplicidade de vários factores cósmicos”, refere.
João Paulo Menezes sublinha ainda que a actual blogosfera “é uma revolução” na comunicação e que pode conter “algumas raízes da comunicação social do futuro, sendo o meio ideal para pequenas estruturas”. Quanto ao alargamento dos media convencionais à blogosfera, o jornalista refere que tal se deve apenas a acções de marketing. “Não é uma necessidade estrutural à sua essência”.
Sobre a entrada de jornalistas neste meio, Menezes sublinha a necessidade de ser definido “um limite, que será a esfera da sua profissão”, apesar de ser “tudo ainda muito novo. Isto é ainda um bebé”.
Além do servidor do Sapo, os bloguistas portugueses registam os seus diários no Weblog.com.pt, apesar de muitos autores escolherem ainda os servidores internacionais, como o Blogger ou o Weblog. Apesar de haver diversidade na escolha, “não há concorrência entre estes serviços”. Tudo porque a comunidade de bloguistas “criou um espírito de colectividade”, como explica a fonte ligada ao serviço Sapo. Este espírito está assente nas hiperligações entre os blogues. Qualquer cibernauta pode assim navegar neste universo, saltando entre blogues de vários servidores.
EXEMPLO. A provar o sucesso da blogosfera a nível nacional está o exemplo da campanha eleitoral para as legislativas de 20 de Fevereiro. A convite do portal Sapo, os partidos com assento parlamentar, à excepção do Bloco de Esquerda, aceitaram o desafio de manter um blogue activo de 24 de Janeiro a 20 de Fevereiro. Os resultados foram surpreendentes. A mesma fonte adianta que 275 mil pessoas visitaram pelo menos um dos blogues dos candidatos, além de que estes figuraram sempre, em dias de semana, entre os cinco blogues mais visitados deste servidor.
Este sistema de comunicação aberto apresenta mais uma forma de aproximar o leitor do emissor ao permitir a comunicação um-para-um e um-para-muitos e a respectiva interactividade, conseguida através dos comentários.”
No início de Abril Miguel Tomar Nogueira apresentava os “Bloscares 2005″ (prémios atribuídos a blogues e “bloggers”), já na sua 3ª edição:
- Melhor Blogue - Voz do Deserto
- Prémio do Júri - A Causa Foi Modificada
- Melhor Blogger, Elas - Carla Hilário Quevedo
- Prémio Carreira - Pedro Mexia
- Melhor Blogger, Eles - Maradona
- Prémio do Público - Blogotinha
- Prémio Revelação - Desassossegada
A 14 de Abril a revista “Visão” publicava artigo sobe os “Políticos ‘high tech’”:
“As iniciativas eleitorais alargaram-se ao ciberespaço. Os sites dos partidos andaram particularmente animados, mas a luta política não se ficou por aqui. Arrastou-se para a blogosfera – um espaço de reflexão e debate concorrido também por alguns políticos individualmente ou em grupos –, com os líderes partidários a alimentarem blogues efémeros. Aliás, até a luta do Verão passado pela liderança do PS levou Manuel Alegre a criar um blogue, editado por Helena Roseta e José Magalhães.
Apesar da euforia, o que se verifica é que a blogosfera parlamentar anda murcha. O BLOGAR, sistema de Blogues na Assembleia da República (http://blogs.parlamento.pt), está às moscas. Num universo de 230 deputados, a sua actividade nunca foi muita – sete blogues e um projecto (…).
José Magalhães foi para o Governo e deixou, logicamente, o República Digital que manteve com grande regularidade até ao dia das eleições (20 de Fevereiro). António Pinheiro Torres, um independente que se sentava na bancada “laranja” saiu do Parlamento e mudou o seu Por Causa Dele (e sua militância antiaborto) para http://porcausadele.blogspot.com. A despedida de José Leitão (PS) pôs fim ao Inclusão e Cidadania. O Correcto de Carlos Rodrigues, morreu em Dezembro.
Por seu turno, José Lello (PS) mantém o seu Bloglello em coma vegetativo desde Outubro passado, enquanto a socialista Teresa Venda vai alimentando a Casa da Partilha com alguma irregularidade. Sobra, teimosamente, o Casa dos Comuns de Guilherme d’Oliveira Martins, que se manifesta preocupado com a situação do BLOGAR. Fora do Parlamento estão a andar diversos projectos, mas vários políticos contactados pela VISÃO mostram desinteresse pelos blogues. Assusta-os a obrigatoriedade de produzir regularmente. E um blogue é como um tamagoshi. Se não é alimentado, definha.”
Em meados de Abril, era lançado mais um livro com origem na blogosfera, “O Acidental“, aqui recuperando as palavras de Paulo Pinto Mascarenhas: “
“Quando abri a página na internet do blogue O Acidental, a 8 de Abril de 2004, estava longe de adivinhar a repercussão e o impacto que poderia ter. Jornalista durante quase 14 anos, era leitor deste meio de comunicação recém-chegado a Portugal, mas apenas como espectador interessado e distante. O Acidental começou assim como uma espécie de compensação para o abandono do jornalismo, um modo expedito de continuar a escrever e de continuar a ser lido depois de ter decidido entrar para a política, a convite de Paulo Portas.
Conhecia obviamente a pré-história da blogosfera nacional e, como editor de Sociedade do semanário O Independente, julgo ter sido um dos primeiros, senão o primeiro, a consagrar um espaço exclusivo para citações do meio na imprensa escrita do nosso país. Diversas vezes referi também na minha página de opinião alguns dos blogues que preferia, com a Coluna Infame à cabeça. Num país culturalmente dominado pela esquerda, desde logo na comunicação social, a blogosfera parecia estar a fazer surgir uma nova geração de intelectuais e académicos da direita liberal e conservadora. Uma direita que não é saudosista, porque geneticamente democrática, mas que também – ou precisamente por isso – não tem complexos de esquerda.
Quando O Acidental apareceu, porém, a Coluna Infame já era. A blogosfera política encontrava-se nas mãos da esquerda e da extrema-esquerda, acompanhada de longe por um centrismo de avisada moderação. Com honrosas excepções, os blogues mais lidos e, sobretudo, os mais citados, dividiam-se entre as diversões fracturantes do Bloco de Esquerda e as afirmações facturantes do Bloco Central – em suma, o novo meio tinha já sido quase totalmente absorvido pela agenda do mainstream mediático.
O Acidental veio perturbar e baralhar o jogo, combatendo directamente os blogues de esquerda e extrema-esquerda, mas criticando de igual modo a moderação utilitária e pragmática de algumas vacas sagradas do comentário politicamente correcto. Numa altura em que o mais fácil era atacar a anterior maioria de centrodireita e os respectivos governos, aqueles de nós que assim o entenderam nunca deixaram de defender tudo aquilo que podia e devia ser defendido, aceitando pontos de vista contrários e abrindo espaço à livre discussão no blogue.
Por defendermos políticas e políticos dos dois anteriores governos, fomos e continuamos a ser tão ferozmente atacados. Quando iniciei o blogue fiz questão de pôr as cartas na mesa, não escondendo a minha militância política no CDS e a minha condição acidental de adjunto de Paulo Portas enquando ministro de Estado e da Defesa Nacional. Para quem não conheça a blogosfera, explico que seria muito mais cómodo manter um prudente silêncio sobre o assunto, existindo blogues muito conhecidos escritos por anónimos de várias cores políticas – e que, por isso mesmo, se escondem atrás dos chamados nicknames.
Eu não vejo razões para ter vergonha de ser militante ou dirigente de um partido, nem de participar num governo, por mais impopular que seja – e fico sobretudo espantado que trinta anos depois da revolução ainda haja quem não entenda – ou quem pareça esquecer – que sem partidos não há democracia e sem políticos de qualidade não existe democracia representativa que resista.
A intenção de criar um blogue foi muito para além dos meus interesses partidários. Há muito que acredito e defendo na medida das minhas possibilidades que a Direita – que ultrapassa seguramente o quadro dos partidos existentes – não pode vencer e não conseguirá construir uma alternativa válida e estável para governar Portugal se não assumir um combate cultural que deve assentar em primeiro lugar num respeito absoluto pela liberdade de expressão, incluindo a abertura à diversidade de opiniões e de correntes ideológicas no seu interior.
Com empresários e capitalistas que invariavelmente preferem entregar o seu dinheiro a projectos dominados pela esquerda ou pelo Bloco Central, a forma mais simples de lançar esse combate de liberdade pode passar por meios como a blogosfera, onde aliás já se encontram alguns dos maiores talentos criativos da comunicação social do nosso país.
Não sei se estou errado, mas penso que O Acidental é único ou pelo menos foi o primeiro do género no nosso país: existem blogues individuais e existem blogues colectivos, mas nenhum é individual e colectivo em simultâneo. Ou seja, O Acidental é o meu blogue e foi minha a responsabilidade na constituição de um equipa heterogénea de ilustres convidados – mas é deles todos, porque é inteiramente deles a qualidade e a criatividade que o faz ser hoje um dos blogues políticos mais polémicos, mais lidos e mais citados de Portugal. Doa a quem doer.”
Na mesma altura, João Paulo Meneses iniciava um novo “blogue”, tendo por temática a rádio, mais especificamente “O Segundo Choque na Rádio“, o qual suportaria a tese de doutoramento do autor. O “segundo choque” é-nos apresentado (na “declaração de princípios”) da seguinte forma:
“Não foram poucos os que previram a morte da rádio com o aparecimento da televisão. Mas a rádio sobreviveu. Mudou, de casa para o carro, da noite para o dia, da válvula para o transístor, mas sobreviveu ao primeiro choque tecnológico.
O segundo choque está aí à porta e a rádio ainda não percebeu os sinais. É o choque provocado pela banalização dos sistemas digitais de reprodução de música («ipods» e muitos outros), que ameaçam tirar a música da rádio; são os GPS, ligados a câmaras de vídeo, que dão a informação de trânsito em tempo real, especificamente para a minha rota; é a personalização das informações, em função dos meus interesses, enviada pelos telemóveis da terceira geração (trânsito, bolsa, meteorologia, etc.); é a possibilidade de ver, via UMTS, as transmissões dos jogos de futebol, onde não há um ecrã de televisão, em vez de ouvir o relato; é…
Como será a rádio sem a música, sem o trânsito, sem a bolsa, sem…?
O que fica para a rádio?”
Pouco depois d’”O Acidental”, seriam lançados novos livros com origem em blogues; para além da dinamização de uma plataforma portuguesa de “blogues” (weblog.com.pt), Paulo Querido contribuía também para impulsionar a publicação em livro (e, por essa via, a perenização e tangibilidade da escrita no espaço “virtual”) de alguns dos melhores autores desse espaço, casos de Luís Ene (Ene Coisas), Ana Roque (Modus Vivendi) e João Pedro da Costa (Ruínas Circulares), que viam os seus textos ganhar a forma impressa, em livro (respectivamente: “Mil e Uma Pequenas Histórias”; “Pagar Para Ver”; e “As Ruínas Circulares”). Saíra entretanto também a edição do “Livro da Rititi”.
A 6 de Maio, o Abrupto de Pacheco Pereira comemorava dois anos, aniversário assinalado no Diário de Notícias: “Dois anos de comentários abruptos na blogosfera”.
Entretanto, um outro relato desses 2 vertiginosos anos da blogosfera era apresentado: “25 momentos na história da blogosfera”.
Em meados de Maio, surgia um novo blogue na área política da blogosfera, o Bicho Carpinteiro , juntando Joana Amaral Dias, Medeiros Ferreira, Bettencourt Resendes, Maria João Regala e “Hidden Persuader”.
Ainda em Maio, surgem na blogosfera movimentos visando um efectivo papel impulsionador do debate e reflexão sobre o referendo ao Tratado Constitucional Europeu, raramente vistos para além da fronteira dos blogues.
Primeiro, a 18 de Maio, foi Pacheco Pereira a criar um blogue em defesa do “Não”: “Sítio do Não“; seguiram-se nos dias imediatos “O Sítio do Sim“ e a “Comunidade de Blogs pelo Sim“ e ainda uma página de Marcelo Rebelo de Sousa (“É Sim“ - “É sim nasce hoje para permitir colocar ao alcance dos internautas documentação importante sobre a Europa, a sua integração e, em especial, o Tratado da Constituição Europeia”).
Paulo Querido lançaria também o “Sim à Europa“, “Um blogue para agregar todos os que acham que vale a pena adoptar uma Constituição Europeia independentemente dos muitos argumentos a favor e contra. E também os que não acham. A favor do debate”.
… Debate que viria contudo a ser suspenso, na sequência dos votos “Não” nos referendos francês e holandês, que levaram a uma pausa no processo de ratificação do Tratado.
A 20 de Maio, Pedro Mexia escrevia, no “Diário de Notícias“, artigo tendo por mote a passagem do “Publico online” ao regime de acesso pago, sobre o tema “Acesso pago e blogosfera” , concluindo que «Menosprezar o mundo dos blogues é, como se sabe, um erro comum. O acesso pago aos jornais é provavelmente outro».
No dia seguinte, realizava-se em Beja o Encontro “Blogs na Planície“, com exposição de fotografia (“Bit Afectos”, com trabalhos de Nikonman (Praça da República) e Ognid (Catedral) e apresentação do livro “Mil e uma pequenas histórias”, de Luís Ene, com a presença do autor e do editor Paulo Querido.
O dia 10 de Junho é marcado por um alegado “arrastão” na praia de Carcavelos, o qual teria envolvido cerca de 500 indivíduos de cor, assaltando os banhistas; tal constituiria ponto de partida para diferentes pontos de vista e intenso debate, lançando pistas de reflexão, na blogosfera, nomeadamente no Causa Nossa (Insegurança, por Vital Moreira), Blasfémias (Brincar com o fogo, por João Miranda), Abrupto (Das duas, uma, por Pacheco Pereira), no Glória Fácil (Dia da Raça, no Glória Fácil) e no Tugir (As bombas-relógio).
Finalmente, chegar-se-ia à conclusão que não se tratara de um “arrastão”, mas sim, basicamente, de um grupo de pessoas em fuga da polícia (O céu sobre Lisboa ).
A 11 de Junho, Pacheco Pereira apresentava no Abrupto (artigo também publicado no “Público”) uma resenha dos 50 momentos mais importantes no pós-25 de Abril.
A 13 e 14 de Junho, praticamente toda a blogosfera se uniria em “coro uníssono”, para assinalar a dupla partida de Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade.
A 20 de Junho, João Paulo Meneses (Blogouve-se), numa iniciativa inovadora, visando contribuir para reforçar a transparência entre “bloggers” e leitores, apresenta um “Guia Ético e Técnico para o blogue“, com um conjunto de compromissos (unilaterais), de natureza técnica e deontológica: «Quem lê e quem comenta tem o direito de saber o que o espera – porque há uma lógica subjacente a cada blogue e a este também. Pretende-se que este guia seja uma forma de estabelecer uma relação mais transparente com os eventuais leitores ou uma maneira de a clarificar».
Também em Junho de 2005, era lançada a ideia do “Blogreporters“, tendo por objectivo “permitir que as pessoas interessadas em fazer jornalismo profissional, possam de uma forma simples e gratuita publicar as suas peças, demonstrando o seu valor. Porém, o BlogReporters não pretende ser apenas um espelho dos órgãos de comunicação social nacionais, mas antes um espaço novo e original, uma lufada de ar fresco no panorama dos média nacionais, no qual se façam finalmente as reportagens que nunca ninguém ousou fazer em Portugal, no qual se valorize a investigação e a inovação”.
O fim do mês de Junho ficaria marcado pelo princípio do fim do Barnabé, um dos blogues mais visitados em Portugal, na sequência do abandono de Daniel Oliveira (a 27 de Junho); o epílogo consumar-se-ia em 3 de Julho.
No mês de Julho, a blogosfera (por via de um conjunto de mais de 70 blogues, com destaque para a Grande Loja do Queijo Limiano) chamaria de novo a si uma responsabilidade social (um papel de “watchdog”, mobilizando a opinião pública), reclamando o esclarecimento governamental sobre os alegados estudos relativos à decisão de construção de um novo aeroporto na Ota («Pode o Governo sff colocar em linha os estudos sobre o Aeroporto da Ota para que na sociedade portuguesa se valorize mais a “busca de soluções” em detrimento da “especulação”?»), numa iniciativa que, partindo dos blogues, se alargaria aos “media” tradicionais, obrigando mesmo o Ministro das Obras Públicas a “sair a terreiro” .
Tal como sucedera com a questão do referendo ao Tratado Constitucional Europeu, a blogosfera vinha reafirmar que o exclusivo da “agenda política” em Portugal não pertence já, nos dias de hoje, aos “media” tradicionais.
Porém, já em Agosto, o segmento político da blogosfera seria novamente empobrecido, com o anúncio do termo do Jaquinzinhos… tendo entretanto o autor (João Caetano Dias) regressado, já em Outubro, como colaborador do Blasfémias.
A propósito, o “Diário de Notícias” publicava, em 14 de Agosto, um controverso artigo em que, referindo a quebra de audiências verificada após desde Junho de 2005, afirma que os “Blogues políticos deixam de ser motores da blogosfera nacional”, no que, não obstante, terá constituído apenas um breve “compasso de espera”, num mais alargado processo de maturação da blogosfera.
No “Expresso” de 20 de Agosto (revista “Única”), Paulo Querido fazia um balanço da evolução da blogosfera, em particular da relevância da sua vertente política: “E este é o futuro mais previsível da blogosfera de pendor participativo na res publica: levantar as questões que a imprensa por algum motivo está impedida de colocar (ou esqueça) e melhorar assim a accountability do poder político, que quase não tem antecedentes históricos em Portugal” .
Em artigo no “Público”, a 23 de Agosto, Vital Moreira, a propósito da necessidade de um “5º poder”, enquadrava a importância da blogosfera: “[…] apesar de crescente, a visibilidade pública dos blogues é ainda muito reduzida entre nós. É pequeno o número dos seus frequentadores regulares. São muito poucos os blogues que têm notoriedade, devendo-a vários deles ao conhecimento de que os seus autores gozam por razões exteriores à blogosfera […]” , finalizando com a expectativa de que virá a assumir uma relevância crescente, particularmente na esfera política.
O mês de Agosto ficaria ainda marcado pelo final do Fora do Mundo e do Aviz (de Francisco José Viegas – que regressaria poucos dias depois, logo a 1 de Setembro, com “A Origem das Espécies“).
O início de Setembro marcava também o nascimento do “Sound + Vision“, dos jornalistas Nuno Galopim e João Lopes, para escrever sobre “a música, o cinema, o som e a imagem; e também a fotografia, a pintura, a rádio, a televisão, os livros, o que nos entusiasme e estimule”, que esclareciam ainda: “Porque se juntam dois jornalistas para escrever além dos seus espaços profissionais? Para complementar, para debater, para ir além do que o espaço finito das edições em papel e das emissões de rádio e televisão nos permitem”.
A 15 de Setembro era anunciado o novíssimo serviço de pesquisa de blogues… o Google Blog Search.
Com a aproximação das eleições autárquicas, surgiria, em particular, no mês de Setembro, uma nova vaga de “blogues de campanha”.
Depois d’A Coluna Infame, do Dicionário do Diabo e do Fora do Mundo, Pedro Mexia regressava à blogosfera, no final de Setembro, com o Estado Civil.
Por seu lado, Alexandre Borges, Domingos Miguel, Luis Filipe Borges, Paulo Narigão Reis e Rui Branco reuniam-se na Noite Americana, para falar/escrever sobre cinema.
No início de Outubro, nascia o Idade Média, novo blogue, reunindo Alberto Magalhães, Luís Carmelo, Carlos do Carmo Carapinha e Samuel Rego… inactivo desde Novembro.
Para, a 3 de Outubro, ser lançada por Paulo Gorjão no Bloguitica mais uma “micro-causa”: “Pode o jornal “Público” sff esclarecer com quem é que Fátima Felgueiras manteve contactos no Secretariado Nacional do PS? Quando é que esses contactos tiveram lugar? Quem é que informou Jaime Gama previamente da libertação de Fátima Felgueiras?”, culminando com o Director do jornal – em programa na televisão, no canal 2: – a remeter mais informações para uma oportunidade futura.
Entre 14 e 16 de Outubro decorreu na Covilhã, numa organização da Universidade da Beira Interior, a cargo de João Canavilhas (“Waldorf”, do Blogue dos Marretas), o II Encontro de Weblogs.
No dia 14, a sessão de abertura teve a presença de Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento).
O dia de Sábado teve início com a comunicação de Manuel Pinto (Provedor do leitor do “Jornal de Notícias” e membro da equipa do blogue Jornalismo e Comunicação), apresentando as principais conclusões de um inquérito a autores de blogues, procurando estabelecer um termo de comparação da situação actual face ao ano de 2003.
Começou por destacar o significativo peso de pessoas com formação superior entre os frequentadores da blogosfera (em termos de autoria), a par de uma tendência de maior paridade a nível de sexos (face a 2003), constatando-se uma importante afectação diária de tempo ao fenómeno (que pode chegar mesmo a 3 horas/dia).
Conforme referido em artigo no “Jornal de Notícias“ no dia seguinte, a blogosfera, sendo uma nova fonte para os jornalistas, parece assumir, conforme indicado por Manuel Pinto, um papel de complemento aos meios de comunicação tradicionais.
Manuel Pinto apontou ainda a natural perda do efeito de novidade que se verificava em 2003, com a blogosfera a entrar actualmente no que se poderá definir de “velocidade cruzeiro”.
Concluiria a sua intervenção com o elencar de um vasto conjunto de pertinentes questões sobre a evolução da blogosfera, nomeadamente:
- A blogosfera agrega uma pluralidade de vozes? Que proporcionam um efectivo debate público? Ou uma “Babel”?
- Como evoluirá a relação entre a mediasfera e a blogosfera?
- Como se preserva a memória da blogosfera? Deveria haver um depósito obrigatório, público?
Antes da apresentação das conclusões dos diversos grupos de trabalho constituídos, respectivamente: “Weblogs e Cultura” (coordenado por Jorge Bacelar – Blogue dos Marretas), “Weblogs e Política” (Pedro Mexia – Estado Civil), “Weblogs no Ensino” (Rogério Santos – Indústrias Culturais), “Weblogs e Jornalismo” (Luís Santos – Atrium), “Weblogs no Contexto Organizacional” (Mónica André – B2OB) e “Weblogs e Imagem” (José Carlos Abrantes – As Imagens e Nós), tive a oportunidade de apresentar referência a algumas das principais datas-chave da cronologia da blogosfera.
O Encontro encerraria com “chave-de-ouro” com as comunicações de Paulo Querido (Mas certamente que sim! ) e de José Luis Orihuela (E-cuaderno – apresentando 10 pontos-chave para a compreensão do impacto dos blogues e lançando 5 pistas de evolução futura do fenómeno).
Aqui recuperarei de seguida um resumo dos principais aspectos destacados por cada um dos intervenientes neste Encontro, que proporcionou, para além dos debates “em sala”, oportunidade para profícuas conversas informais e convívio entre bloguistas, no “Beers & Blogs” e no jantar de encerramento.
Rogério Santos (Indústrias Culturais) assumiu a coordenação do grupo de trabalho “Weblogs no ensino”, tendo apresentado as principais conclusões, com referência a exemplos de blogues ligados a esta área, desde logo referindo o blogue de António Granado (Ponto Media), nomeadamente como forma de contacto com os seus alunos de “ciberjornalismo”, passando também pelo Jornalismo Digital, Jornalismo e Comunicação, Aula de Jornalismo e Jornalismo Porto Net.
Referiria ainda o Irreal TV (de Francisco Rui Cádima) e o Net FM (de Paula Cordeiro), fechando com o Geografismos (“cadernos diários electrónicos”, administrados directamente pelos alunos).
Destacou o papel de suporte de apoio não presencial no ensino, assim como as suas potencialidades de interactividade / trabalho colaborativo, em ambos os sentidos (professor – aluno), contribuindo também, de alguma forma, para reduzir as “barreiras hierárquicas”.
Apontaria como conclusão final do grupo de trabalho que os blogues no ensino constituem uma alternativa válida, a nível da gestão de conhecimento em comunidade, consubstanciando-se numa ferramenta para a alfabetização digital.
Jorge Bacelar (Blogue dos Marretas), coordenador do grupo de trabalho “Weblogs e cultura” destacaria também alguns exemplos de blogues da área cultural, começando pelo incontornável Janela Indiscreta, referindo também o Escrever para o boneco, na área da ilustração.
Algumas das questões suscitadas no debate entre o painel de bloguistas integrante do grupo de trabalho prendem-se com a autoria e os “direitos de autor”, realçando a questão ética da citação / referência (nomeadamente por via de links) das fontes.
Foi também referido o aspecto da “censura” / auto-regulação, com o exemplo do caso chinês, com o Estado a monitorizar os conteúdos, mas também com os casos Muito Mentiroso e Do Portugal Profundo, em que, em Portugal, de alguma forma se pretendeu controlar os conteúdos.
Uma das conclusões referidas foi a de que os blogues culturais são pontos de encontro de micro-comunidades que partilham interesses, chegando mesmo a aspectos muito específicos (como, por exemplo, ser fã de uma banda de garagem que mais ninguém conhece!…).
Encerraria a sua intervenção recuperando a questão da necessidade de criação de um arquivo / “memória” – os blogues como um acervo documental que permitisse aos estudiosos do futuro dispor de documentação que permitisse caracterizar os tempos de hoje (criar uma espécie de “Torre do Tombo virtual”).
O coordenador do grupo de trabalho “Weblogs e Política”, Pedro Mexia (Estado Civil), apresentaria, conjuntamente com Nuno Jerónimo (o “Statler”, do Blogue dos Marretas) as principais conclusões sobre esta área da blogosfera.
Pedro Mexia começou por referir não considerar que exista qualquer unidade global ou continuidade entre os blogues, para além da plataforma técnica, pelo que não será adequado proceder a generalizações.
Falando sobre as origens da blogosfera em Portugal, referiu que a Coluna Infame foi o primeiro blogue predominantemente político, cuja suspensão seria inclusivamente objecto de referência no Editorial do Público. Com o surgimento do Blogue de Esquerda, gerar-se-ia um intenso debate sobre a guerra do Iraque e as tendências pró ou anti-americanas. Em termos gerais, considera-se que a entrada de Pacheco Pereira (Abrupto) veio contribuir para credibilizar a blogosfera, o que Pedro Mexia questiona.
Parecendo que, com a queda do muro de Berlim, se esbatera a tradicional clivagem entre direita e esquerda, de repente, voltava a falar-se insistentemente nessa dicotomia, sobretudo no segmento de “Direita” (relativamente ao qual continuava a notar-se um certo receio de assumir a definição).
Pedro Mexia aponta o papel da blogosfera na desmultiplicação de pontos de vista, dado que, basicamente, os jornais exprimem as opiniões do “Bloco Central”; na realidade, não se limitando o espaço político ao PS e PPD/PSD, nos blogues, naturalmente, surgiram representantes de todo o espectro político, de todas as sensibilidades (inclusivamente com uma “sobre-representação” dos extremos, quer do Bloco de Esquerda, quer do CDS-PP), o que é algo muito enriquecedor em relação à comunicação social tradicional.
Um dos grandes interesses dos blogues é a criação de comunidades; “redescobrir” pessoas com os mesmos interesses, as mesmas ideias, que lêem os mesmos livros.
Em relação aos blogues políticos como instrumentos de polémica – a chamada “parada e resposta” – considerou que teve uma fase interessante (entusiasmante e mesmo lúdica, em termos de retórica) no início; hoje, já se torna tudo demasiado previsível (o factor surpresa esgota-se ao fim de um determinado número de “posts”).
Sobre a vertente humorística, irónica e de sarcasmo, Pedro Mexia considera que os blogues que inicialmente adoptaram esse registo, “contaminaram” o resto da blogosfera; em consequência, a tendência é para que, num debate entre uma pessoa tecnicamente muito preparada e um blogger irónico, a primeiro “perca esse debate”.
Concluindo a sua intervenção, referindo o papel dos blogues como espaço de intervenção pública, sublinhou que isso implica a necessidade de respeitar princípios ou regras deontológicas. Finalizaria, referindo que, para além de as pessoas “comuns” terem adquirido um espaço de intervenção, assiste-se paralelamente a uma multiplicação do espaço de intervenção de jornalistas e outros actores políticos, que dispunham já de outras tribunas.
Nuno Jerónimo retomaria a vertente das comunidades de interesses, organizadas em blogues colectivos, facilitando assim o acompanhamento da actividade política, o que, curiosamente, acabaria por, nas questões mais polémicas, levar inclusivamente a discussões internas entre os membros de um mesmo blogue.
Para além dos blogues colectivos, referiu ainda o caso de “A Mão Invisível“, que opera como uma “plataforma conjunta” de pessoas que escrevem em vários outros blogues, referindo-se-lhe mesmo como uma “espécie de revista online ou coluna de opinião”.
Concluiria fazendo referência às questões clássicas no debate político blogosférico: “O que é o liberalismo? O que é ser conservador? O que é ser de direita e/ou de esquerda? A que direita / esquerda é que pertencem?”
Luís Santos (Atrium) faria referência aos principais aspectos analisados pelo grupo de trabalho “Weblogs e jornalismo”.
Começaria por referir que os blogues contribuem para ampliar / acrescentar informação à que está já normalmente disponível nos meios de comunicação tradicionais, mesmo que respeitante apenas a “micro-áreas” da sociedade.
Outro papel que os blogues vêm assumindo é o de acompanhar os meios tradicionais, como “watchdog” ou uma espécie de “provedor”.
Notaria a existência de blogues mantidos por jornalistas, sobre a sua actividade profissional, a par de outros blogues, mais orientados para a vertente de formação em jornalismo.
Como principais aspectos de evolução desta área da blogosfera, entre 2003 e 2005, apontou nomeadamente:
- o impacto do RSS, que se acentuará no futuro próximo
- a consolidação de “audiências” (apesar de preferencialmente frequentados por leitores de alguma forma relacionados com o jornalismo ou a aprendizagem do jornalismo)
- os comentários identificados (existindo até uma regra, de apenas responder a comentários não anónimos).
Seguiu-se Mónica André (B2OB), coordenadora do grupo de trabalho “Weblogs no contexto organizacional”, que começaria por notar que os blogues são uma ferramenta, à qual podem ser dadas distintas utilizações.
Destacou a possibilidade que proporcionam de estreitamento das distâncias, promovendo conversas a nível global.
Sobre a situação portuguesa, referiu que parece não ter ainda despertado o interesse pelos blogues no contexto organizacional, sendo a dimensão desta vertente dos blogues ainda muita diminuta em Portugal.
Apontou os blogues como instrumento para dar visibilidade às competências / projectos de cada colaborador de uma entidade ou organização.
Citaria dois casos conhecidos: a plataforma de blogues da Assembleia da República que, até à data, não vingou; e, por outro lado, o caso da TBWA, em que os trabalhos desta agência de publicidade são divulgados via blogue. Referiu, a nível internacional, os casos da IBM e da HP, como exemplos de entidades que adoptaram os blogues no contexto organizacional.
Concluiria afirmando que o tipo de utilização depende da missão de cada entidade ou instituição; que público se visa atingir (interno ou externo), lançando uma questão de relevo: “Quem, dentro da organização, deverá (man)ter blogues?”
Na ausência do coordenador do grupo de trabalho “Weblogs e Imagem” (José Carlos Abrantes - As Imagens e Nós), coube a Ricardo Bernardo (Zone 41) apresentar as principais conclusões.
Começou por referir não haver um estudo ou levantamento que permita dispor de uma ideia clara sobre o panorama nacional dos blogues nesta área da imagem.
A principal questão que se coloca relaciona-se com os direitos de autor sobre as imagens que publicamos nos blogues e a necessidade de colocar referências à origem dessas imagens.
Outra matéria abordada pelo grupo de trabalho foi a do design dos blogues e outros sinais de identidade, antevendo-se que os criadores podem ter no design de novos lay-outs ou templates um novo campo de acção.
Concluiria a sua intervenção, dando exemplos de dois blogues orientados para esta área da blogosfera: A Cidade surpreendente (imagens do Porto) e o Sound + Vision (de João Lopes e Nuno Galopim).
A penúltima intervenção do II Encontro de Weblogs ficou a cargo de Paulo Querido (Mas certamente que sim! ), também responsável pela plataforma weblog.com.pt e jornalista do Expresso, com vários artigos publicados sobre a blogosfera.
A sua comunicação subordinou-se ao tema “Para onde vai a liberdade?”, tendo iniciado referindo que os portugueses parecem “desconfiar” dos poderes político e mediático (curiosamente, o mesmo não se aplica relativamente ao poder económico).
Os blogues parecem querer, não apenas notificar os jornalistas do que deverá ser notícia, não apenas estabelecer a agenda, mas, mais que isso, ainda ameaçam os governantes de fiscalizar o poder político, tornando-se um tipo de “watchdogs”.
Um dos aspectos que referiu com maior entusiasmo foi a importância do RSS (Really Simple Syndication), que proporciona grande liberdade aos leitores da blogosfera, permitindo-lhes acompanhar, praticamente em “tempo real”, as actualizações dos seus blogues preferidos.
Levantaria a questão da notoriedade / identidade / relevância, aspectos que raramente serão coincidentes; daria a propósito, entre outros, um exemplos na área da literatura, demonstrando que o facto de ser o mais lido não significa necessariamente uma capacidade proporcional de influenciar os leitores. Estas questões não poderão ser descuradas pelos grupos de pressão (lobies) que vão surgindo pela blogosfera.
Sobre a importância da blogosfera, referiu o papel de intermediação que tradicionalmente competia aos jornais, agora em processo de transferência para a Internet, levantando-se uma questão essencial; para que esse papel seja útil, tem de ser assumido por pessoas com a capacidade de filtrar o essencial face ao acessório (separar “a voz” do “ruído”).
Concluiria alertando que a blogosfera pode ter duas faces: por um lado, tem a virtualidade de permitir dar voz, proporcionando uma liberdade de expressão; por outro, pode ser propícia à potencial instrumentalização de uma tecnologia da qual nos tornámos dependentes.
A intervenção final do II Encontro de Weblogs foi assegurada por José Luis Orihuela (e-Cuaderno), que encerraria com “chave-de-ouro” esta reunião de bloggers e estudantes universitários.
Iniciou a sua comunicação apontando 10 chaves para a compreensão do impacto dos blogues:
1. Do “iceberg” ao “geiser” - estima-se que haja hoje já 100 milhões de blogues em todo o mundo; já (quase) toda a gente tem um blogue.
2. “Killer applications” - o surgimento de diversos serviços online (tendencialmente grátis) que potenciaram a expansão dos blogues (Bloglines, Skype, Flickr, Technorati, del.icio.us, Wordpress, Mozilla Firefox, …).
3. “Social Media” - emergência de “meios sociais” (exemplo: wikipedia, “we the media” e “we media” - estudos online).
4. “Corporate blogging” - tendência crescente dos blogues como ferramenta de comunicação empresarial (para comunicação internamente e gestão de projectos).
5. “Commercial blogging” - proliferação de anúncios nos blogues (“ad-words”).
6. “Media blogs” - os próprios meios de comunicação tradicionais acabaram por criar os seus próprios blogues.
7. RSS + Tagging - a sindicância de conteúdos e a “etiquetagem” (palavras-chave associadas a cada texto) facilitou decisivamente a leitura / consulta dos blogues que mais nos interessam.
8. “Podcasting” - inclusão de som nos blogues (rádios “personalizadas”, “navegáveis”).
9. “Googleization” - afirmação do “império Google” no mundo da blogosfera, com uma série de aplicações: Google Talk, Google Blog Search, Google Mail, … Será a Google a próxima “Microsoft”?
10. “Infopollution” - A “boa notícia” é que todos podemos publicar os nossos textos / fotos; a “má notícia” é que… todos podemos publicar!… O valor de qualquer infromação é condicionado pela probabilidade de que possa ser encontrada. A equação proposta foi: - ruído + valor = blogues temáticos
Concluiria a sessão com a apresentação de 5 pistas de evolução futura deste fenómeno:
1 - Convergência - social networking + RSS + wikis + e-mail + …
2 - Novos formatos multimedia - videoblogues, audioblogues e a “portalização” dos blogues (com um interface mais “amigável” e com um índice global disponível no corpo da página).
3 - “Blogonomics” - empresas, instituições e mesmo meios de comunicação acabarão por contratar bloggers para manter os seus blogues “institucionais”.
4 - “Web 2.0″ - a Internet “das pessoas”; já não um “mero repositório” de informação dispersa, mas um lugar de encontro, de intercâmbio, construído de forma colaborativa por todos os intervenientes.
5 - “Blogosfera 3.0″ - depois da “blogosfera 1.0″ (de 1992 a 1999, desde o What’s New até ao surgimento da plataforma blogger) e da “blogosfera 2.0″ (de 1999 a 2004 - até à palavra blogue como “word of the year”), é altura de entrar em acção a “blogosfera 3.0″ (desde a AOL - Weblogs Inc. até EPIC).
Pode saber mais sobre o II Encontro de Weblogs, aqui.
Na sequência do II Encontro de Weblogs, em mais uma iniciativa de Paulo Querido, surgia, a 18 de Outubro, a “.Blogopedia“: uma excelente e aliciante ideia, a de, com base na tecnologia “wiki”, recorrendo ao trabalho colaborativo de todos os interessados, criar uma “Enciclopédia dos Weblogs e Bloggers de Língua Portuguesa”.
“O projecto Blogopedia visa criar, e manter actualizada, uma enciclopédia dos weblogs e bloggers que editam em língua portuguesa.
A enciclopédia contém ainda artigos e estudos sobre os blogues e outros espaços de de comunicação na emergente cultura da partilha em que vivemos na rede.
Depois da sistematização da informação e numa segunda linha de objectivos, esta enciclopédia contribuirá para ajudar a comunidade a auto-referenciar-se positivamente através das apresentações dos autores.
Esta enciclopédia é mantida pelo trabalho voluntário de todos quantos queiram participar no projecto. Está aberto a todos. A edição de conteúdos requer uma conta (login) para dignificar o projecto e ainda para minimizar os danos com spam de natureza informática ou humana.
Todos os conteúdos ficam sujeitos à licença GNU FDL, ou seja, são de livre distribuição desde que mantida esta forma de licenciamento e não poderão ser propriedade de ninguém.
A Enciclopédia será sempre de acesso gratuito e livre de publicidade; pretende-se torná-la independente e colocá-la rapidamente ao abrigo de eventuais vicissitudes com o servidor de origem. Isto implica o financiamento por donativos da comunidade; as respectivas contas serão tornadas públicas em, permanência (ainda que protegidas as identidades de origem dos donativos).”
No mesmo dia, surgia o prometedor French Kissin’, de João Morgado Fernandes, sucedendo ao “Terras do Nunca”.
Dia após dia, a blogosfera não deixava de nos “surpreender”, reafirmando a sua vitalidade e a sua capacidade de renovação; nascia também por esses dias de meados de Outubro um novo projecto, o Sociedade Anónima - A Irmandade dos Anéis, um blogue no feminino, inicialmente construído a 22 (!) mãos (actualmente, a 30!)…
A 28 de Outubro, no Diário de Notícias, Miguel Gaspar anunciava que “A campanha também bloga”, interrogando: “Que influência terá na campanha o fórum político que dá pelo nome de blogosfera?“.
“A resposta é, obviamente, que a blogosfera criou novas condições para a expressão pública de opiniões divergentes do mainstream político e mediático. A importância da blogosfera é precisamente a de permitir outro tipo de discursos”.
E, concluindo: “É por compreenderem que, embora atingindo apenas um grupo restrito de cidadãos (apenas aqueles que têm acesso à Net), a blogosfera introduz ideias e discursos alternativos aos dos meios de comunicação. E as ideias, muitas vezes, contam mais do que os números - algo que tendemos a esquecer quando pensamos apenas nos números das sondagens ou das audiências.”
A 2 de Novembro, num inédito movimento na blogosfera nacional, mais de 200 blogues (dos quais cerca de 120 divulgando, logo no primeiro dia, o seu início) anunciavam o nascimento do Proximizade, blogue de causas solidárias.
A blogosfera seria novamente “sacudida” com o anúncio da Lei n.º 53/2005 de 8 de Novembro, criando a ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social, extinguindo a Alta Autoridade para a Comunicação Social, de que se destacavam os “dúbios artigos”:
“Artigo 6.º
Âmbito de intervenção
Estão sujeitas à supervisão e intervenção do conselho regulador todas as entidades que, sob jurisdição do Estado Português, prossigam actividades de comunicação social, designadamente:
a) As agências noticiosas;
…
e) As pessoas singulares ou colectivas que disponibilizem regularmente ao público, através de redes de comunicações electrónicas, conteúdos submetidos a tratamento editorial e organizados como um todo coerente.”
Visando obter esclarecimento sobre as questões colocadas a propósito da eventual aplicação aos blogues das competências da nova Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Luís Santos (Atrium) dirigiu um e-mail directamente ao Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva.
As perguntas efectuadas e a resposta integral, obtida no início de Dezembro, proveniente do Gabinete do Ministro, podem ser lidas aqui.
A conclusão final é a seguinte:
«Sucede que, visando salvaguardar o direito à liberdade de expressão consagrado no artigo 37º da Constituição da República Portuguesa, a proposta de Lei apresentada pelo Governo pretendeu excluir, de forma notória, as comunicações electrónicas de conteúdo privado e de conteúdo não comercial (como, em regra, serão os “blogs”). Assim, foram incluídas as expressões “submetidos a tratamento editorial” (cfr. Lei da Imprensa) e “organizados como um todo coerente”.
Daqui decorre que, enquanto não assumirem uma linha editorial definida, através da sujeição das opiniões nele vertidas a um tratamento uniformizador, de cunho editorial, os “blogs” não serão enquadráveis na alínea e) do artigo 6º dos Estatutos.
Porém, como já supra demonstrado, a não inclusão directa numa das alíneas do referido artigo 6º não obsta a que as entidades responsáveis pelos conteúdos difundidos pelos “blogs” não possam vir a ser abrangidas por decisões da ERC, desde que o respectivo Conselho Regulador ou, em caso de recurso judicial, os tribunais considerem que os conteúdos em causa se enquadram no conceito de “actividade de comunicação social”.»
A 9 de Novembro, o Clube de Jornalistas levava a debate, no programa televisivo n’A Dois, o tema “Os blogues são jornalismo?”, com a presença de António Granado (jornalista do “Público” e autor do Ponto Media), João Alferes Gonçalves (jornalista free-lance e editor do site Clube de Jornalistas), Rogério Santos (professor da Universidade Católica e autor do Indústrias Culturais).
Algumas questões apresentadas no site do Clube de Jornalistas:
- O que significa ser um “cidadão jornalista”? A blogosfera permite que cada cidadão seja um repórter em potência?
- Os blogues podem ser encarados, pelos jornalistas, como fontes credíveis de informação? Quais os limites a sua utilização por parte dos ditos media “convencionais”?
- Os blogues podem desempenhar um importante papel como vigilantes e fiscalizadores da acção dos jornalistas e dos media?
Na segunda metade do mês de Novembro, mais uma iniciativa de Paulo Querido, com “Amizades Virtuais, Paixões Reais – A Sedução Pela Escrita”, um livro de, sobre a Internet, onde se pretende “abrir portas e dar pistas” para uma navegação por páginas virtuais, abordando temas como “A importância do nickname”, “MSN a comunicação segura”, “Blogues: a nova ordem social”ou “Photoblog.de: socializar com imagens”.
A 25 de Novembro, a blogosfera ficava mais pobre, com o termo do Blogue de Esquerda, um dos “blogues fundadores” da blogosfera portuguesa (assinalado com artigo no Diário de Notícias).
… Ao mesmo tempo que se enriquecia com o nascimento, no mesmo dia, do Aspirina B, com a participação de João Pedro da Costa, José Mário Silva, Júlio Roriz, Luis Rainha, Nuno Ramos de Almeida e Valupi.
A 26 de Novembro, o Diário de Notícias, pela pena de Paula Mourato, tratava da “blogosfera no feminino“.
“A CNN do século XXI?” foi o título do artigo de opinião de José Carlos Abrantes, Provedor do Leitor do Diário de Notícias (também organizador dos encontros “Falar de Blogues”), de que apresento de seguida um extracto:
«“Blogo porque quero existir.” Esta entrada de um blogue traduz o sentir de milhões de criadores de blogues. Outras motivações existirão, pois a diversidade humana também se reflecte, necessariamente, neste domínio. A explosão dos blogues tem levantado algumas interrogações sobre o seu papel. Nos media tem-se discutido, sobretudo, se os blogues são ou não jornalismo. Uma corrente considera que a actividade jornalística está ao alcance de todos, pois existe hoje a possibilidade de seguir os acontecimentos, de recolher informação sobre eles e de a publicar nas páginas dos blogues. Outros consideram que a actividade jornalística é uma actividade institucional onde os controlos são múltiplos um texto, mesmo de um director, é visto por outros profissionais antes de ser editado. Estes controlos múltiplos dariam, ao jornalismo, fiabilidade e credibilidade, que os blogues não poderiam reivindicar, pois são formas de expressão imediatas.»
A UBI - Universidade da Beira Interior tem dedicado especial atenção ao fenómeno da blogosfera, de que será melhor exemplo o II Encontro de Weblogs, organizado em Outubro. A fechar esta “viagem” pelo ano de 2005 na blogosfera portuguesa, referência para o Ubiversidade - Informações, ideias, juízos e raciocínios sobre as universidades em geral e as portuguesas em particular, blogue criado por alguns docentes da Universidade da Beira Interior, reflectindo sobre temas relacionados com o ensino superior, com uma interessante lista de elos para outros blogues que tratam da mesma temática e também para blogues afectos ao ensino secundário.